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  • Nai Rodrigues

A rosa, o amor e a liberdade


Um dos gêneros de filmes favoritos entre as mulheres é o romance. Filmes que arrancam suspiros, que apresentam homens incrivelmente belos, carinhosos, gentis, cavalheiros, engraçados, e absurdamente românticos. O maior problema desses filmes são as expectativas criadas em nós, que vão desde o esteriótipo do pretendente até a forma de se viver um relacionamento.


Os tradicionais filmes água com açúcar apresentam casais que não se desgrudam, que vivem como se o outro fosse o ápice de sua existência. Há carinho todo dia, agrados a todo momento, como se a vida fosse um eterno parque de diversões. Mas o amor não é isso. Amor não é estar preso a uma pessoa, como se não desse para viver sem ela, não é projetar toda a sua vida em torno de uma pessoa, porque isso é prisão, é dependência emocional, e não há como ser realmente feliz assim.


O verdadeiro amor é liberdade. Amar é ser livre.


Amor é doação, a liberdade é escolha. E o amor te ajuda a ser mais livre, justamente porque você escolhe amar.


É importante diferenciar liberdade de libertinagem. Não é fazer o que te der na telha. Não é tratar o outro como se usa um papel higiênico, que depois de usado você descarta. A liberdade é ter maturidade e responsabilidade para com os sentimentos do outro.



Eu sempre amei flores e acredito que o amor é como uma rosa. Quando se quer cultivar uma rosa, é necessário uma série de preparos e cuidados:


Preparar a terra. Você não conseguirá cultivar nada se não preparar a terra. Não adianta ir com muita sede ao pote, entregar o seu coração e todo seu amor a quem mal se conhece. A amizade é o melhor caminho. É preciso conhecer o outro, saber seus gostos, preferências e, principalmente, seus valores, pois estes são inegociáveis. Não se entrega uma joia de bandeja, não se cultiva uma rosa em solo ruim. Você pode dizer mil vezes que está gostando de alguém, mas se você não sabe coisas básicas sobre ela, se não há uma amizade, você só se apaixonou por alguém que você inventou e projetou. E lembre-se: quanto mais fundo a raiz se fincar, mais forte e vigorosa a rosa crescerá; quanto mais profunda a amizade, mais forte será o amor.


Não basta o solo, é preciso a semente. Vocês podem ser grandes amigos, mas isso não quer dizer que serão o amor da vida um do outro. Pra mim sempre foi muito claro: não adianta ter a amizade e não ter a atração. Esse é um ponto poucas vezes tocado porque muitas pessoas invertem a ordem, e colocam a atração como primordial e se esquecem da amizade. Porém, por mais que a atração não tenha a primazia, ela é essencial.

Imagine casar-se com alguém porque a pessoa é sua amiga, porque ela tem todas as virtudes que você acha essenciais, contudo, você nunca teve nenhum tipo de atração além da amizade. Depois de um tempo casada, aparece alguém que tem as virtudes, que se torna seu amigo e você nota que sente uma grande atração! Que perigo! Entendam: a semente existe, e é necessária, mas ela deve ser fecundada em solo fértil.


Espere. Quem cultiva plantas sabe que a espera é longa. Há plantas que desabrocham mais rapidamente, outras que precisam de mais tempo para alcançar todo o seu vigor. Mas se você atropela essa espera, mata a planta. Cada coisa deve ter o seu tempo, e a espera nos forja.


Sinta o doce perfume e acolha a dor dos espinhos. Se você já viu uma roseira, sabe que elas têm muitos e muitos espinhos e que eles te machucam. Mas se você quer realmente admirar a beleza da rosa, o aroma e maciez de suas pétalas, tem de se dispor a suportar os espinhos. Nos filmes eles apresentam homens perfeitos, mas na vida real, eles têm inúmeros defeitos. Não fique procurando a rosa sem espinhos, pois ela não existe; ao contrário, procure aquela rosa que é tão bela, que os espinhos dela se tornam suportáveis.


Cuide, cerque de cuidados, mas dê espaço. Uma rosa precisa de adubo, de água, da luz do sol. O amor está nos pequenos detalhes da rotina. Mas se você regar demais, ou se deixar muito tempo no calor, ela morre. Eu sei que você viu mil vezes nos filmes aquele carinho - por vezes excessivo -, mas não pense que é assim na vida real. Se você regar a rosa, ela vive. Se você deixar a mangueira ligada sobre ela 24h por dia, condenou-a a morte. É de extrema importância cuidar e se deixar ser cuidado. Mas não queira monopolizar a vida do outro, ser o centro de suas atenções a todo momento. Isso é sufocante, e destrói você, o outro e o amor.


Espero que vocês cultivem e sejam cultivados, e que nunca se esqueçam que estas rosas cultivadas só durarão se forem cuidadas por vocês e pelo melhor jardineiro: Nosso Senhor.


Com carinho,

Nai.








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