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  • Nai Rodrigues

Beleza X Vaidade


Uma das preocupações que pode surgir quando começamos a nos arrumar mais é: "Mas e se eu ficar vaidosa?" Essa dúvida é muito comum, porque não sabemos mais definir o que é beleza e o que é vaidade. Parecem coisas extremamente ligadas, mas tratam-se de coisas totalmente antagônicas. Para que possamos compreender as diferenças entre as duas coisas, precisamos primeiro entender o que é de fato a vaidade e o que é a beleza.


VAIDADE


A palavra vem do termo latino vanitas, que quer dizer "vacuidade","vácuo", ou seja, o vazio absoluto. Uma pessoa vaidosa é distinta da pessoa orgulhosa, porque esta quer ser a melhor, e a pessoa vaidosa quer parecer a melhor. Trata-se, portanto, de algo da aparência, do externo, nas impressões que o outro terá sobre você.


No livro Imitação de Cristo, atribuído a Tomás de Kempis, encontramos, bem em seu início, dois pontos que tratam sobre a vaidade:


Que te adianta discutir os segredos da Trindade se te falta a humildade, que somente agrada a Deus? Não são as grandes ideias que nos fazem santos. O que agrada a Deus é a vida santa. Prefiro sentir a compunção a saber-lhe a definição. Quando faltam a caridade e a graça, de que adianta conhecer toda a Bíblia e todos os filósofos? Vaidade das vaidades, tudo é vaidade (Ecl 1,2), exceto amar a Deus e só a Ele servir. A suprema sabedoria consiste em caminhar para o Reino dos Céus pelo desprezo do mundo. Vaidade, portanto, é acumular riquezas que perecem e nelas confiar. Vaidade ainda é ambicionar as honras e delas se orgulhar. Vaidade é obedecer às inclinações da carne e desejar o que será depois objeto de punição. Vaidade é sonhar com uma vida longa sem cuidar de fazer o bem. Vaidade é pensar somente na vida presente, sem prever a futura. Vaidade é amar o transitório e deixar de perseguir a alegria que dura para sempre.

Imitação de Cristo, Tomás de Kempis, Capítulo I, parágrafos 3 e 4.


Podemos dizer que esses pontos resumem bem o que é a vaidade: é a busca pela aparência, pela boa opinião pública, pelo orgulho vazio de aparentar ser o que não se é.


Ainda dentro da vaidade, é importante dizer: muitas vezes, o vaidoso ainda pode fazer as coisas certas. Porém, as coisas certas pelos motivos errados, só para chamar a atenção, para mostrar algo que nem sempre é. Basta nos lembrarmos das inúmeras - e duras - críticas que Jesus fazia aos fariseus, que seguiam estritamente a lei judaica, não por amor a Deus, mas para defender uma imagem de alguém que ama a Deus. Mas como vemos na citação de Imitação de Cristo, não é a ideia, mas é a vida, ou seja, a ação que nos torna santos. Caso contrário, o que nos resta é a hipocrisia. Quando nos habituamos a esta hipocrisia, começamos a criar um personagem, alguém que não somos. Passamos, então, a fazer coisas para receber o amor, ao invés de nos sentirmos amados por aquilo que somos.


E como lutar contra a vaidade? Assistam esse vídeo, pois o Padre Paulo explica bem melhor do que eu:


BELEZA

Atualmente, quando falamos de "beleza", logo nos remetemos aos tratamentos estéticos, ao cuidado da aparência, etc. Isso até está relacionado ao conceito de beleza, mas é uma definição muito superficial. Lembro-me quando falávamos sobre a ideia de beleza nas aulas de arte e filosofia na escola, e meus professores diziam: "Não há bonito ou feio, isso é absolutamente relativo e subjetivo, o que é bonito pra você pode ser feio para mim". Eu sempre achei esse tipo de discurso uma furada, e hoje, quando comecei a me interessar mais pelo tema "beleza", percebo o porquê: não há nada de relativo. A beleza é objetiva.


E é objetiva porque, mais do que a aparência, a beleza trata da essência, do que é interior. Uma vez, um amigo me disse: "A beleza interior faz a exterior". Ele não poderia estar mais correto. É claro que se deve cuidar do que é exterior, mas uma coisa não deve sobrepor a outra, pois assim se segue o ditado: por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento.


Para exemplificar, pensemos na Cinderela, a famosa gata borralheira: mesmo com sua beleza natural exterior, ela estava sempre suja, coberta de cinzas, e não havia um cuidado exterior com sua aparência. Mas o seu coração continuava nobre, e foi ele quem refletiu a sua beleza. No caminho inverso, temos a madrasta da Branca de Neve, que era belíssima esteticamente, mas que tinha o coração podre. Não nos é difícil decidir qual a beleza que mais nos chama a atenção e nos encanta, porque a verdadeira beleza está na essência, e não na aparência.


Dessa forma, nos fica claro compreender o porquê da beleza ser chamada de um dos transcedentais de Deus: Ele é bom, belo e verdadeiro. Se Deus é o parâmetro de toda beleza, e não há como separar sua beleza de sua bondade e de sua verdade, percebemos a razão de a beleza ser objetiva: porque Deus É.


Há pouco tempo, comecei a me interessar mais sobre a questão da beleza, seu verdadeiro sentido e suas deturpações. Deixo aqui um documentário intitulado "Por que a beleza importa?" do Sir Roger Scruton, que tem me ajudado muito nesse caminho. Recomendo fortemente que assistam:


BELEZA X VAIDADE


Tá bem, mas e a pergunta inicial? Como buscar a beleza sem cair na vaidade?

O primeiro passo é compreender que o primeiro é virtude, o segundo é vício; o primeiro fala de essência, o segundo fala de aparência.


A pessoa vaidosa cuida da aparência como um fim em si mesma: ela quer ser notada, ser admirada, ser objeto de desejo, seduzir o outro. A sua glória está na conquista das coisas terrenas, nas coisas deste mundo. O seu fim é em si mesmo, e portanto, torna-se vazio e fútil. Neste caso, sim, a beleza torna-se futilidade, é vã.


Mas a mulher que cuida de si, que zela pela sua aparência exterior, não pela sua aparência, mas pela sua essência, essa sim, é verdadeiramente bela. Faz parte da natureza feminina o desejo de ser e de estar bela, e este desejo foi colocado por Deus em nosso corações. E ele existe porque nós, mulheres, somos as criaturas que melhor podem apontar, com a nossa beleza, a Fonte de toda a Beleza. Nós, com a nossa aparência, nossos traços, nossa delicadeza, somos as mais capazes de refletir, de mostrar de maneira mais humana e concreta, a beleza transcendente do Criador.


Quando descobrimos a melhor maneira de usar a nossa beleza, quando colocamos ela não como um fim, mas como um meio que direciona para o verdadeiro fim, ela não é mais fútil, mas é útil.


A beleza da mulher é absolutamente fundamental na vida do homem. Com a sua beleza, a mulher têm o poder de construir ou de destruir um homem - ou até um império. Se olharmos as mulheres da bíblia, veremos como isso se dá: a beleza de Dalila levou Sansão à ruína; a de Ester e de Judite salvou o povo de Israel.


A nossa beleza, quando está além da nossa aparência, quando reflete a beleza de nosso coração, santifica o homem. Imagine como era a vida de São José: ele tinha como esposa a mulher mais bela que já passou por essa terra. Mas a beleza dela não o tentava, não o conduzia para a futilidade, porque a beleza de seu exterior conduzia para a beleza de seu interior, e a Virgem Maria tinha em seu coração o amor profundo a Deus, e sua beleza levava São José a amá-la e, amando-a, amar ainda mais a Deus.


Que possamos usar de nossa beleza, não para destruir, não para seduzir, não para vivermos de aparências, mas que ela possa conduzir muitos corações àquele que é a fonte de toda a Beleza!


Com carinho,

Nai.

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