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  • Nai Rodrigues

Grandes mulheres: Santa Mônica

O mundo dominado pelo feminismo nos diz o tempo todo: "Empodere-se", "Mostre a tua força", "Fight like a girl", "We can do it!" e muitos outros jargões. A mídia, totalmente tomada por esse discurso, tenta nos mostrar quem são as "grandes mulheres" atuais: Beyoncé, Emma Watson, Anitta. Esses são os nossos modelos de mulheres de força. Mas o que ninguém fala é que tudo isso é uma farsa. Uma farsa porque o que o feminismo representa está longe, muito longe da verdadeira essência da mulher, que é o amor e a doação completa de si. São essas mulheres, que gastam a si mesmas em favor do outro, que estão longe dos holofotes e das pirotecnias, as verdadeiras guerreiras, as mulheres de fibra.


Com o intuito de resgatar esses grandes modelos, resolvi começar uma série de posts aqui no blog, apresentando as grandes mulheres da nossa história, a fim de que possamos nos espelhar nelas e nos tornarmos grandes mulheres, como elas foram.


E a primeira mulher sobre quem eu gostaria de falar é ela: Santa Mônica, a mãe de Santo Agostinho.

Eu já tinha ouvido a história de Santa Mônica várias vezes e sabia algumas coisas, mas essa semana resolvi ler o livro Santa Mônica, Mãe de Santo Agostinho, de A. Brugnolo. Esse livro foi produzido pela Minha Biblioteca Católica, e é bem curtinho (são apenas 73 páginas), mas de uma grande riqueza.


A história de Santa Mônica não traz fatos místicos. Como diz o próprio autor do livro

"Mônica não é dessas almas extraordinárias cuja perfeição surpreende e desalenta a fraqueza humana, que com suas virtudes fogem à nossa imitação: filha dócil e humilde, esposa fiel, mãe mui terna, viúva casta e resignada: eis a vida de Mônica, exemplo de mulher cristã"

Nascida na África em um ambiente profundamente cristão, tinha, desde a infância, um profundo gosto pela oração. Foi educada por uma criada de confiança da família, que havia sido testemunha dos últimos anos de perseguição aos cristãos e, por isso, ensinou e educou a menina na exigência própria da fé cristã, com as mortificações e o desprendimento das coisas terrestres.


A esposa silenciosa e amorosa


Crescida, Mônica é desposada por Patrício, um homem completamente diferente dela: colérico, violento e infiel. Vale lembrar que, na época, os casamentos eram arranjados e, apesar de Patrício não ter sido escolha direta de Mônica, e apesar de ele sempre expô-la a tantas humilhações, ela sempre demonstrava para com ele grande carinho e amor. Conta-se que, apesar do temperamento do esposo, seu lar era lugar de extrema paz e concórdia, e que o esposo nunca levantara a mão contra ela - coisa comum à época. Muitas mulheres, cujos maridos tinham a aparência de mais serenos, iam ter com ela, e expunham seus hematomas, e falavam mal dos esposos que eram infiéis. Mônica então, esquivando-se da maledicência, as lembrava do que elas prometeram no dia do matrimônio e lhes contava que nunca havia reprovado a infidelidade e que, quando a raiva o dominava, deixava-o a falar sem retrucar e, quando ele se acalmava, corrigia-o fraternalmente.


Algumas pessoas podem olhar e pensar: "Mas que horror! Se eu fosse ela e o meu marido me traísse e gritasse comigo, eu jamais deixaria barato!". Mas este é o ponto: Mônica sabia bem da promessa que havia feito perante Deus e ELA procurava vivê-la da melhor maneira possível. Quantas mulheres vocês conhecem que converteram seus maridos no grito e nas reprovações? Pois bem, foi o silêncio de Mônica, as suas orações e o seu coração amoroso que fizeram com que Patrício mudasse de vida e se convertesse ao catolicismo.


Infelizmente, depois de convertido, Patrício logo adoeceu e morreu, o que impediu Mônica de viver ao seu lado aquele sonho comum a nós, de envelhecermos com os nossos maridos. Mas ela estava feliz, porque teve a graça de ver o esposo cristão.



Mãe firme e carinhosa


Um dos filhos de Santa Mônica é o grande Santo Agostinho, grande teólogo e doutor da Igreja. Mas antes de viver uma vida em busca da santidade, Agostinho foi causa de muito sofrimento para sua mãe. Primeiro, levou uma vida devassa e uniu-se a uma mulher, mas não em casamento. Depois, entrou para a heresia maniqueísta. Como estudava longe, ao voltar para casa, teve que ouvir muitas súplicas de Mônica para que abandonasse a mulher e voltasse para a verdadeira Igreja de Cristo. Diante da recusa do filho, Mônica não hesitou: expulsou o próprio filho da casa. Parece uma medida muito drástica, não é? Mas Mônica sabia da gravidade dos pecados de seu filho, e não admitia tal ofensa ao seu Amado.


Ela rezava e pedia a Deus diariamente pela conversão do seu filho, e derramava copiosas lágrimas por ele. Chorava pela sua morte espiritual muito mais do que choraria por uma morte corporal. Santo Ambrósio, bispo que foi personagem importante na conversão de Santo Agostinho, disse à ela: "Ide. Não se pode perder o filho de tantas lágrimas!".


Santa Mônica teve que chorar por 25 anos para ver seu filho convertido e, depois que isso aconteceu, viveu pouco tempo e depois faleceu alegre, porque viu seu amado filho ser também católico. Santo Agostinho conta que, depois da morte de sua mãe, pranteou aquela que por tanto tempo chorou por ele.


Há muito mais no livro, mas deixo aqui estes pontos para que vejamos que a grandeza não está nos grandes atos, mas na fidelidade à missão que o Senhor nos chamou: Mônica soube ser esposa, nos mostrando que "o mais belo ornamento da mulher é o silêncio e quando ela cala e obedece, vence." Mônica soube ser mãe. O autor comenta que "o século dos Agostinhos será resgatado por um século de mulheres que imitarão o exemplo de Mônica."


Que sejamos nós estas mulheres, que assumem a vocação dada por Deus com todo amor e carinho. Que Santa Mônica interceda por nós!


Com carinho,

Nai.

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