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  • Nai Rodrigues

Mulher Maravilha e os inimigos da alma


Os filmes fazem parte de nossa cultura e são uma importante ferramenta para a formação de nosso imaginário. Esse é um dos motivos pelo qual amo assisti-los e deles tirar alguma mensagem, traçar paralelos com a nossa vida. Neste final de semana, reassisti ao filme Mulher Maravilha, da DC Comics, e fiz algumas reflexões que gostaria de partilhar com vocês.


Diana é uma amazona, criada na ilha de Temiscira, filha de Zeus, o senhor dos deuses, e Hipólita, a rainha das amazonas. A principal missão dessas mulheres guerreiras é deter Ares, o deus da guerra, e Diana não sabe, mas ela é a arma criada para destruir seu próprio irmão - pois Ares também é filho de Zeus. Quando a deusa descobre que o mundo está em guerra, resolve partir de Temiscira com Steve Trevor - um espião britânico que ela resgatou do mar -, e partir rumo à guerra, pois ela está crente de que toda a guerra está sendo causada por Ares e que, se ela o deter, a guerra findará. Durante o desenrolar da trama, somos apresentados a Luddendorff, um general alemão que, aliado a uma química, está criando um gás que pode devastar cidades inteiras. Diana crê que este homem é na verdade Ares e, por isso, o mata. Mas a guerra não acaba: os alemães continuam preparando tudo para lançar as bombas de gás e matar milhares de pessoas. E aqui a heroína entra em uma crise, pois, se ela matou o instigador de toda a guerra, por que os homens continuam a querer guerrear? Chamo então a atenção para o diálogo que acontece nessa cena entre ela e Steve:



- Não, isto devia ter acabado! Por que eles ainda estão fazendo isso? Ares está morto.Podem parar de lutar. Por que ainda estão lutando?

- Eu não sei! Eu não sei! Talvez seja a natureza deles! Talvez...talvez as pessoas não sejam sempre boas. Com Ares ou sem Ares, talvez seja assim que elas são.

- Não, não. Eles estavam se matando. Matando pessoas que nem podem ver. Crianças! Não. Tinha que ser ele! Não podem ser eles!

(...)

- (Você não acha) Que eu queria poder dizer que é culpa de um cara do mal? Só que não é. Somos todos culpados.



Pouco tempo depois, aparece o verdadeiro Ares. Ele estava ali desde o começo, disfarçado como um homem que queria ajudar Diana em sua missão, mas que tinha como objetivo real a destruição da humanidade. E em todo aquele discurso típico de vilão, uma frase se destacou para mim:


- A espécie humana roubou este mundo de nós. Eles o destruíram, dia após dia. E eu, o único sábio o bastante para ver isso fui deixado sem forças para impedi-los. Todos esses anos, eu lutei sozinho, sussurrando ao ouvido deles ideias, inspiração para fórmulas, armas. Mas eu não faço com que as usem. Começaram esta guerra por conta própria.


Logo que vi essas cenas, me lembrei da homilia que ouvi sobre a parábola do joio e do trigo. No Evangelho de São Mateus, ouvimos dizer que o "campo é o mundo". Mas que mundo é esse? A teologia nos traz três interpretações: temos o mundo em si, a sociedade; o mundo que é a Igreja; e o mundo mais profundo: o nosso mundo interior. Todos nós temos trigo e joio em nossos corações. Muitas vezes olhamos apenas para o mundo exterior, para a sociedade e pensamos: "O mundo está um caos por causa dos políticos corruptos", ou "A Igreja está indo de mal a pior por causa dos sacerdotes". Mas quantas vezes nós nos acusamos? Quantas vezes apontamos o dedo para nós e dizemos quantas coisas ruins temos em nós mesmos?


É preciso ter em conta os nossos inimigos: o mundo, o demônio e a carne. O demônio é o instigador de todo o mal, e colabora para que nós sempre voltemos ao pecado. Mas ele age da mesma maneira que a personagem de Ares agiu: sempre se mostra amigo, sempre age sorrateiro. Mas quem cede a ele é a nossa carne, ou seja, somos nós.


Um ponto levantado pelo padre na homilia foi de que o inimigo plantou o joio enquanto todos estavam dormindo. Não havia ninguém vigiando o campo. Vocês sabem o que acontece quando um super herói está de guarda baixa? Isso mesmo, toma uma surra. Quando nós baixamos a nossa guarda, quando deixamos de vigiar, quando abrimos uma brecha, ainda que mínima, damos espaço para que o demônio nos instigue ao mal. E este mal, assim como o joio, não precisa de cuidados como o trigo. Não. Ele cresce sem o nosso esforço, sem a nossa colaboração. Basta uma guarda baixa, e pronto, ele já está instalado.


E o problema é que, quando ele já está semeado em nós, queremos culpar outra pessoa, assim como os trabalhadores quiseram culpar o senhor do campo. Mas a culpa é nossa. Nós só pecamos porque damos consentimento ao pecado. Nós somos, na maior parte do tempo, os nossos maiores inimigos, e se não lutarmos contra nós mesmos, seremos amarrados ao feixe e lançados ao fogo eterno.


Que o Bom Deus nos ajude a transformar os nossos joios em trigos!


Com carinho,

Nai.



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