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  • Nai Rodrigues

Regras de vida cristã


Em uma das minhas últimas confissões, uma coisa que o sacerdote me disse marcou-me profundamente: "É, Naiara. A nossa fé é exigente". Eu nunca tinha parado para pensar nisso, mas depois me pus a refletir e percebi que é mesmo. Ser católico é se submeter a uma série de exigências. Você tem regras que não pode quebrar e deveres que têm de cumprir, e se não o fizer de maneira consciente, arcará com as consequências - e não são consequências lá muito boas. Mas, diferentemente das exigências de um emprego, o que a nossa fé exige de nós não nos escraviza, não nos deixa exaustos, mas pelo contrário: quando obedecemos, quando cumprimos com os nossos deveres de fé, nos tornamos verdadeiramente livres e recuperamos as forças que o pecado arrancou de nós.


Pensando nisso, resolvi trazer aqui as "Regras de vida cristã", que se encontram no livro "A alma aos pés de Jesus", de Dom Tiago Sinibaldi - livro que recomendo muitíssimo. Espero que vocês possam ler estas regras e perceber que há nelas fortes exigências, pois elas te tirarão do seu comodismo, mas que perceba que, se colocá-las em prática, você será realmente livre.


A nossa vida deve estar inteiramente ao serviço de Deus, porque é um benefício de Deus. Exige-o a justiça, pede-o a gratidão. - Dom Tiago Sinibaldi

I. Ao acordar, fazei o sinal da cruz, consagrando ao vosso Pai Celeste o primeiro pensamento, a primeira palavra, o primeiro afeto.


II. Em seguida, ajoelhando-se diante de Jesus Crucificado, rezai as orações da manhã; fazei ao menos um quarto de hora de meditação sobre as máximas eternas (ou novíssimos), e especialmente sobre a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, propondo firme e praticamente a emenda de um defeito ou aquisição de uma virtude. Se os deveres do vosso estado o permitirem, ouvi a Santa Missa, e, não podendo, procurai unir-vos em espírito aos sacerdotes que em todo o mundo oferecem o Santo Sacrifício, fazendo a comunhão espiritual.


III. Depois da oração, entregai-vos às ocupações do vosso estado, mas fazei-o com espírito de penitência e de amor, aceitando o trabalho como expiação dos vossos pecados e oferecendo-o ao Divino Pai em união com os trabalhos de Jesus. Assim, todas as vossas obras, ainda as mais indiferentes, serão sacrificadas, e alcançareis imenso tesouro de graças, merecimentos e glória.


IV. Pelo decorrer do dia, levantai muitas vezes o pensamento a Deus que sempre e com tanta caridade pensa em vós, agasalhando a vossa miséria sob o manto da sua infinita misericórdia. Acostumai-vos à prática das jaculatórias, tão próprias para conservar e aumentar o espírito de devoção - deste modo, a vossa vida será uma oração contínua.


V. Tomais as necessárias refeições, unicamente com o fim de conservar a vossa vida no serviço de Deus. Fugi da intemperança, que tantas almas tem perdido; praticai alguma mortificação, lembrando-vos de Jesus, que por vosso amor sofreu fome e sede e que na hora da sua morte só teve, por bebida, fel e vinagre. A sobriedade dá saúde à alma e ao corpo.


VI. Nas vossas aflições, doenças, contrariedades,sujeitai amorosamente a vossa vontade à de Deus, unindo os vossos aos padecimentos de Jesus Cristo. Lembrai-vos de que as aflições passam e a recompensa será eterna. - Adorai amorosamente as disposições da Providência de Deus que, sendo Sabedoria, Poder e Bondade infinita, tudo dispõe e ordena para a nossa felicidade eterna e que do próprio mal, que não quer mas permite, sabe tirar um grande bem para a nossa alma. Só na vida futura se encontra o prêmio ou castigo, proporcionado ao bem ou ao mal que se pratica na vida presente.


VII. Na vossa convivência com o próximo, observai escrupulosamente a caridade fraternal, evitando tudo o que possa magoar ou mortificar, encobrindo ou desculpando os defeitos alheios, sofrendo pacientemente as impertinências e os desprezos, admoestando com boas palavras e sobretudo com bom exemplo.


VIII. Desprezai os respeitos humanos; evitai as ocasiões perigosas e as más companhias. Por amor das criaturas, não queirais ofender e desgostar o amantíssimo Coração de Jesus. Quando, pois, tiverdes ocasião, e a prudência não aconselhar o contrário, manifestai francamente o vosso acatamento à santa Religião e sede fiel às práticas de piedade cristã.


IX. À noite, fazei a visita ao Santíssimo Sacramento; rezai o Terço de Nossa Senhora; examinai a vossa consciência e fazei o ato de contrição; recomendai-vos ao Sagrado Coração de Jesus, a Nossa Senhora, a São José, ao bom Anjo da Guarda, e, ocupado em santos pensamentos, descansai na paz do Senhor.


X. Em cada semana, ou de quinze em quinze dias, aproximai-vos, com as devidas disposições, do Santo Sacramento da Penitência. Nos domingos e dias de guarda, empregai mais tempo em cuidar do grande negócio da vossa salvação eterna, assistindo à Santa Missa, práticas e outros exercícios piedosos. Nas sextas-feiras, rezai a Via Sacra. Nos sábados, rezai a coroinha da Senhora das Dores.


XI. Em cada mês, fazei, sendo possível, um dia de retiro como preparação para a morte, pondo a vossa alma no estado em que desejaríeis encontrar-vos naquele terrível momento. - Na primeira quinta-feira de cada mês, fazei a Hora Santa, e no dia seguinte, a comunhão reparadora, para consolar e desagravar o Coração amantíssimo de Jesus.


XII. Em todo o tempo da vossa vida, não vos esqueçais de Jesus Crucificado. Era rico e por vosso amor torou-se pobre; era glorioso, e por vosso amor foi saciado de opróbrios; era felicíssimo, e por vosso amor morreu afogado num mar de tormentos. Gravai a sua Imagem ensanguentada em vosso coração; recorrei a Ele em todas as necessidades e angústias. Nunca encontrareis um amigo tão bom, tão generoso e tão desinteressado, como é Jesus... Lembrai-vos sempre de que, na hora da morte, a única coisa que ficará em vossas mãos trêmulas será o crucifixo.


Se observarmos bem, não são regras tão difíceis de serem cumpridas, não é? A nossa fé é exigente justamente porque não nos pede muito, mas nos pede tudo: não basta que você viva isso muitos dias, precisa viver isso todos os dias. A santidade se constrói nas pequenas ações do nosso dia-a-dia.


Que sejamos santos!


Com carinho,

Nai.


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